A paisagem muda incrivelmente entre Rio e BH. Paisagens naturais e humanas. Íncrivel como o caminho, a temperatura (de surpresa, BH estava muito mais quente que o Rio), a umidade do ar, a vegetação, o céu e a água mudam, e o ser humano muda junto. A paisagem é mais limpa que a do Rio (incrível como podem pessoas de todas as camadas sociais e etárias jogarem lixo nas ruas do Rio). Os humanos, em BH, os que encontrei, eram invariavelmente educados e alguns como duendes das montanhas mágicas, doces, criativos e gentis.
Me pergunto por que o Rio de Janeiro chama tanta atenção se só sai notícia sobre violência. Os mineiros têm pavor da violência no Rio. Mas não são só os mineiros, claro. Até eu fiquei com medo enorme de levar uma bala na volta a cidade amada.
Será que esse nosso berço tem vida própria, independente do povinho (sem distinção de classe social ou faixa etária) que aqui se instalou? E será que essa alma inspira os que fazem dessa cidade uma maravilha? Provavelmente. O carioca precisa respeitar essa terra e a si mesmo. Criatividade, alegria e irreverência, aliadas a um pouquinho de “cerimônia” dariam o tom perfeito da sinfonia liberdade/responsabilidade. A cidade maravilhosa seria o próprio paraíso.
E, aliás, cariocas, de sangue ou criação, não fariam nada mais do que alinhar-se à tendência mundial do bem-viver, escorada nos pilares natureza, beleza, pensamento sistêmico, responsabilidade social.
É o mínimo que deseja quem viu, quem vê, esse verde deslumbrante, que ocupa as encostas; e o azul do mar, que brinca com nossos olhos. Tão contrastantes com a secura das montanhas pretas das Minas Gerais, neste inverno de 2007.